Por que a Espanha, que construía casas demais, vive hoje grave crise de moradia
Nos últimos dias, o nome da aposentada Maricarmen Abascal, de 87 anos, esteve presente em muitas rodas de conversa na Espanha.
As imagens da idosa sendo retirada de maca pelos paramédicos do apartamento no centro de Madri, onde ela morou de aluguel por sete décadas, comoveram o país.
Abascal finalmente poderá voltar para casa, depois de celebrar um acordo com a empresa proprietária do imóvel. Mas o impacto causado pelo incidente não termina por aqui.
Além de provocar uma onda de protestos, o caso voltou a colocar no centro do debate público um dos problemas que mais preocupam os espanhóis há anos, segundo as pesquisas: o acesso à moradia.
Neste sábado (3/10), milhares de manifestantes foram às ruas em toda a Espanha exigindo maior proteção aos inquilinos, após o governo não conseguir aprovar no parlamento, na sexta-feira (2/10), uma legislação emergencial sobre habitação.
Em 2024, uma em cada quatro famílias espanholas afirmava ter problemas para conseguir ou manter seu teto, segundo um relatório publicado pela Fundação de Fomento de Estudos Sociais e Sociologia Aplicada (FOESSA).
Comprar ou, conforme o caso, alugar uma moradia passou a ser um objetivo cada vez mais difícil de alcançar para milhares de pessoas na Espanha.
Atualmente, 47,3% dos jovens espanhóis com 26 a 34 anos de idade continuam morando com os pais. Eles afirmam que o principal motivo é que eles não têm condições de comprar ou alugar moradia, devido aos altos custos, informou em abril o Instituto Nacional de Estatísticas da Espanha (INE).
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Fonte: BBC News Brasil

