Dá para identificar relação abusiva antes de mergulhar nela?

Dá para identificar relação abusiva antes de mergulhar nela?

O comportamento de um casal no BBB 23 fez o assunto relacionamento abusivo voltar às conversas. Bruna Griphao e Gabriel deram o primeiro beijo e, depois disso, o que o público assistiu foram carinhos entremeados a cutucadas e agressão verbal —o rapaz chegou a dizer que ela merecia “cotoveladas na boca”. Chegou a tal ponto que o apresentador do reality, Tadeu Schmidt, teve que intervir. “Quem está envolvido em um relacionamento talvez nem perceba, talvez ache que é normal. Mas quem está de fora consegue enxergar quando os limites estão prestes a ser gravemente ultrapassados”, disse.

Problemas, todos temos. Ninguém é um poço de bondade, há um monstrinho dentro de cada um de nós. No entanto, é preciso reconhecer o que o alimenta e o torna irascível, para que se acionem mecanismos de contenção a fim de que ele não cresça. Essa autoconsciência é fundamental para que não saiamos por aí fazendo mal aos outros.

Vontade de bater, de fazer barraco, de xingar, de expor a pessoa, chantageá-la, vê-la sofrer? Temos. Mas o que faz com que a ética nos barre os ímpetos e que sejamos empáticos aos sentimentos alheios, evitando comportamentos agressivos, abusivos ou tóxicos é ter uma percepção razoável da realidade da vida e dar importância para aquilo que está além do próprio umbigo.

Pessoas que não aguentam frustração, são narcisistas, caprichosas, têm sentimento de superioridade, que acham que a vida lhes deve tudo, normalmente reagem muito mal a recusas, críticas ou simplesmente aos fatos da vida: ninguém é uma unanimidade, alguém pode não gostar de você e decidir encerrar uma relação —ou nem entrar nela.

Mas é verdade que nem sempre é fácil reconhecer o caráter alheio porque, às vezes, ele se revela aos poucos, principalmente quando há manipulação consciente do sujeito. O caráter está relacionado às ações que se repetem, revela a firmeza e coerência de atitudes, é a conduta de uma pessoa diante da sua personalidade.

Uma vez, bom, pode ter sido um descontrole eventual, uma fase, sinal de um quadro psíquico comprometido, uma alteração hormonal, o uso de alguma substância ou álcool, uma dor emocional lancinante. Duas vezes, a repetição já está a mostrar algo.

A partir daí, não é preciso condenar as pessoas à decapitação em praça pública —pois, desde que haja consciência e empenho quase todos somos capazes de mudanças— mas é totalmente legítimo a outra pessoa se afastar. Principalmente as mulheres, educadas a cuidar dos outros e a serem as grandes heroínas da salvação emocional da humanidade, que são facilmente pegas pela boa intenção e pela ideia de que, um dia, aquele homem mudará.

Comportamentos agressivos, sejam os de ordem física, verbal e os que se estabelecem pelo silêncio diante das necessidades alheias, são um importante sinal de alerta. Normalmente, uma relação abusiva em fase inicial tem como característica a posse e o ciúme, por meio dos quais a pessoa busca controlar o quotidiano da parceria.

Diminuir a outra pessoa, menosprezar quem o outro é e suas características, ignorar e fazer “brincadeiras” que no fundo são, também, um tipo de agressão: tudo isso pode até estar fantasiado de amor, mas não é. É só cilada.

Fonte: UOL

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