1984 – O dia do fogo na vala

1984 – O dia do fogo na vala

Escrito por Jeannis Platon – Escritor, Mergulhador e Historiador

::TÚNEL DO TEMPO::

O dia que São Sebastião pegou fogo – Já diz o dito popular: Melhor prevenir do que remediar.

E situações em que envolve riscos de uma catástrofe, é prudente assegurar todas as condições de segurança para quem trabalha com produtos inflamáveis, como também para aqueles que fixaram suas residências em torno dos locais em que há o manuseio desses materiais.

Vamos relembrar o episódio ocorrido em 1984, quando moradores, Poder Público e a Petrobras vivenciaram momentos de pânico com um pesadelo que jamais pensaram em ter. Na ocasião, houve um vazamento que resultou em labaredas de fogo pelo curso do Córrego do Outeiro, no centro da cidade. Além do medo com consequências maiores, ficou também claro o despreparo de todos os atores da situação. Está registrado na história que no incidente de 84, se evidenciou a falta de estrutura do Poder Público na época, a inexistência da perfeição no trabalho da refinaria e o desconhecimento da sociedade em saber como agir em situações extremas.

O dia do folgo na vala

No ano de 1984, em um dia calmo o temor que todos tinham pelo convívio com os tanques da Petrobras se concretizou. Eram cinco horas, quando um dos reservatórios, localizado junto à Rua Remo Corrêa da Silva começou a transbordar, inundando a área de segurança a sua volta. Sanado o vazamento, os resíduos foram esgotados, isto é, derramados no Córrego do Outeiro, nas proximidades do incidente. Como o córrego tem baixo volume de escoamento, todo o conteúdo jogado ficou concentrado em seu leito até o fim da tarde daquele dia.

Segundo versões, alguém teria ateado fogo, lançando ponta de cigarro acesa no córrego, o que provocou incêndio de grandes proporções. Labaredas com dez metros de altura e colunas de fumaça percorriam o curso d´água, atravessando todo o centro da cidade até chegarem a praia. O pânico tomou a todos. Um senhor, morador da Rua Nossa Senhora da Paz, morreu de ataque do coração. Muitos fugiam em direção tanto para Caraguá quanto à Costa Sul de São Sebastião, congestionando as estradas. No hospital, localizado à beira do córrego, os pacientes foram retirados para o meio da rua. Estudantes retirados das escolas da região central foram levados em fuga por carros e caminhões de estranhos. Carros-pipa da prefeitura e da Sabesp combatiam o incêndio, uma vez que em toda a região não existia uma unidade de combate a incêndios. As residências ao longo do percurso do riacho tiveram suas paredes e telhados queimados.

Passado o susto, a população realizou uma passeata no dia seguinte, exigindo melhores condições de segurança. Com isso, houve a instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros na cidade, fato que ocorreu somente no ano de 1987. Desde então, o município vive com total segurança!

Revista Celebridades

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